Escrito por Erik Weijers há 3 meses

Será que a Rússia consegue contornar as sanções através das criptomoedas?

Muitas pessoas que acompanham as criptomoedas têm-se interrogado: será que devemos preocupar-nos com o facto de Putin e o seu gangue poder utilizar as criptomoedas para contornar as sanções? Por vários motivos, isso não parece ser muito provável.

Os Estados Unidos e os aliados impuseram sanções pesadas à Rússia como punição pela sua invasão da Ucrânia. A finalidade das sanções da comunidade internacional é atingir determinadas instituições, governos e indivíduos arduamente. Além dessas medidas punitivas, os ativos dos oligarcas russos e do Banco Central foram congelados. Além disso, praticamente nenhum banco russo pode participar no SWIFT (o sistema de mensagens para transações bancárias internacionais).

Listamos quatro motivos pelos quais as criptomoedas não são uma ferramenta tão fácil para branquear capitais para os oligarcas russos como possa pensar.

1. Há penalizações sobre as transações de criptomoedas não obstante

Como é que funcionam exatamente as sanções (medidas punitivas)? Elas não são dirigidas contra todos na Rússia. Elas são direcionadas contra Putin, o seu ciclo interno rico (os oligarcas), o governo russo e outras entidades estatais, tais como o banco central. Há na realidade uma lista destas entidades.

    Os EUA e os seus aliados estão agora proibidos de negociarem com entidades nesta lista negra. Assim sendo, estes indivíduos ou instituições russas em particular não pode negociar bens ou serviços com um país que apoie as sanções. E também não podem vender produtos nos mercados internacionais, ou deter propriedade lá.

    Aquilo que é importante é o seguinte: as pessoas da aliança ocidental estão agora proibidas de fazerem transações com pessoas na lista negra. Seja quais forem os meios de transação que utilizem: euros, dólares, ouro ou Bitcoin. Há penalizações para isto. Com essas multas e uma pena de prisão em mente, não há motivo para assumir que as pessoas trocarão subitamente em massa para a Bitcoin. Não é moralmente aceitável e não vale a pena o risco. Muito menos se for fácil – mais sobre isto abaixo.

    2. A escala das criptomoedas não se dá a muitas operações de branqueamento de capitais

      Os mercados de criptomoedas são demasiado pequenos para lidar com os enormes volumes em jogo aqui. Certamente que a blockchain Bitcoin consegue lidar com grandes volumes, aproximando-se das dezenas ou centenas de milhares de milhões em jogo. Mas é extremamente complicado branquear capital em grande escala através de um vasto conjunto de carteiras, bolsas e moedas de privacidade. Particularmente se for uma grande quantia de dinheiro, as suas transações sobressairão a olhos vistos. Há todos os tipos de “detetores de baleias” que acompanham isto.

      Além disso, os pares de negociação entre a Bitcoin e o Rublo são muito menos líquidos do que aqueles entre a Bitcoin e o Dólar ou o Euro.

      3. As bolsas de criptomoedas não são o faroeste

        As bolsas de criptomoedas americanas ou europeias são reguladas e obedecem à lei. Elas fornecem dados do cliente se instruídas a fazerem-no. E, para estas, é agora ilegal fazer negócio com indivíduos russos colocados na lista negra. Isto é análogo a como os bancos russos já não podem utilizar o SWIFT (o protocolo mais amplamente utilizado para a comunicação internacional entre bancos). Similarmente, eles já não podem utilizar serviços de criptomoedas. Sem a cooperação das bolsas de criptomoedas, é muito mais difícil converter os seus rublos em criptomoeda.

        Em segundo lugar, considere a transparência da blockchain: conforme foi mais uma vez demonstrado com a detenção dos piratas cibernéticos Bitfinex, é extremamente difícil movimentar e levantar criptomoedas sem que revele a sua identidade numa determinada altura. Numa blockchain, tudo pode ser rastreado.

        4. A Rússia tem alternativas mais práticas para o branqueamento de capital

          É mais provável que a Rússia, se quiser movimentar dinheiro pelo mundo, se foque nas formas tradicionais de branqueamento de capitais. Por exemplo, em empresas de fachada ou bancos obscuros. Eles também podem utilizar divisa estrangeira dos países que não apoiam as sanções. O Yuan chinês é um dos mais óbvios.

          Putin passou anos a tornar a Rússia resistente às sanções. Ele investiu reservas numa variedade de divisas estrangeiras e em ouro. Ele também levou capacidade de fabrico para a Rússia. As criptomoedas não faziam parte da sua estratégia quando o fez.

          Conclusão

          As sanções fizeram com que fosse muito mais difícil e inclusive criminoso para qualquer um conduzir transações com entidades russas listadas na lista negra. Quer seja por meios tradicionais ou através das criptomoedas, em ambos os casos as pessoas deixam rastros e em ambos os casos as pessoas enfrentam multas.

          Algumas pessoas argumentam, por exemplo o Vice-primeiro Ministro ucraniano, vedar a negociação de criptomoedas a todos os russos. Isso atingiria o russo comum, que não é responsável e apenas suporta o fardo desta guerra – enormemente difícil. É precisamente o cidadão russo comum que precisa da Bitcoin agora mais do que nunca, para proteger-se de uma queda do rublo. As maiores bolsas de criptomoedas, por conseguinte, opõem-se a isto. A Coinbase, Binance e FTX já fizeram saber que não querem congelar contas de milhões de cidadãos russos inocentes.

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