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Escrito por Erik Weijers há 18 dias

Staking de Ethereum como futuro “título da internet”?

Nos últimos meses, o preço da Bitcoin e da Ether tem acompanhado o preço dos mercados de ações. E não na direção que gostaríamos. A Bitcoin e a Ether são tidas como arriscadas em tempos turbulentos – quanto mais as outras altcoins. Mas há algo a ser dito relativamente ao facto de que isto vai mudar. Será que irão ser vistas como ativos mais isentos de risco? E será que a Ethereum pode inclusive tornar-se o “título da internet”? Listamos os argumentos pró e contra esta proposta ligeiramente ousada.

Cada blockchain de Camada 1, das quais Ethereum é uma das mais importantes, tem características de uma economia de país. A chain tem as suas próprias regras e as suas respetivas políticas (monetárias). Para fazer alguma coisa com esta, precisa da moeda local (por exemplo a ETH).

Acrescente a isto outra similaridade. A Ethereum recompensa as pessoas que bloqueia o capital (ETH) fazendo o staking com rendimentos: de facto, juro. Isto é suspeitosamente similar ao mecanismo dos títulos governamentais. Será que o staking Ethereum no futuro poderá assumir esse papel de porto seguro que os títulos governamentais têm agora?

A comparação entre os títulos governamentais e o staking Ethereum

A comparação entre o staking Ethereum e os títulos governamentais não é tão absurda como possa pensar. E tal como pode emprestar dinheiro a um governo em troca de juros – um título governamental – também poderá em breve bloquear ETH e receber juros. Isto é, após a fusão, quando a Ethereum passar da prova de trabalho para a prova de participação. Os validadores que colocar ETH de lado estão a ajudar a manter a rede segura e recebem uma recompensa por o fazerem.

Tal como os títulos tradicionais, o staking, na sua base, envolve um acordo entre um emissor do título (o estado ou, na Ethereum, o protocolo) e o detentor do título (ou, na Ethereum, o validador).

Uma pequena diferença é que com o staking ETH, o pagamento é diário. Com os títulos governamentais, esse período de tempo é mensal ou trimestral. O retorno nos títulos governamentais depende da maturidade. Se a duração for de dez anos, a taxa de juro é maior do que no caso de dois anos. Com a Ethereum, a taxa de juro prevista é de cerca de 6%. Esta é uma estimativa conservadora: pode muito bem revelar-se superior.

O que garante as recompensas do staking ETH?

Voltando ao básico por um instante. Porque é que as pessoas emprestam dinheiro aos países? Comecemos pela nação mais fiável: os Estados Unidos. As pessoas emprestam dinheiro a esse país porque confiam que o governo continuará a cumprir com as suas obrigações de pagamento: os pagamentos periódicos de juros. Os EUA têm a maior e mais robusta economia do mundo, assim sendo, tem imenso poder para tributar os seus cidadãos. É isso que serve de garantia aos títulos governamentais dos EUA.

Tal como um país tem determinadas indústrias, as principais indústrias da Ethereum, neste momento, são as Finanças Descentralizadas (DeFi) e NFTs. No entanto, a atividade económica da Ethereum (e de outras chains) integrar-se-á cada vez mais com o “mundo real”. Pense nos contratos inteligentes para comprar casas, propriedade intelectual, seguros, pagamentos de salários. As taxas gas sobem como o crescimento da rede. Assim sendo, um “título Ethereum” será seguro desde que haja procura pela rede, mais precisamente pelo espaço de bloco. Este será, provavelmente, um enorme mercado no futuro. Quem não gostaria de investir nele e retirar dividendos desse investimento?

Quatro riscos

Há analistas que acreditam que os investidores tradicionais nunca se aventurarão no staking Ethereum como uma alternativa ou para complementarem o seu portefólio de títulos. Vemos quatro “bears no caminho” – mas alguns não são tão perigosos como possa pensar à primeira vista.

Risco 1: risco do contrato inteligente

Uma corrente de pensamento poderá ser: não nos podemos expor ao risco do contrato inteligente. Este é o risco de uma falha de software devido a vulnerabilidades internas ou a ameaças externas, como ataques cibernéticos. É verdade, como é óbvio, que os investidores tradicionais não estão familiarizados com este tipo de risco. Por conseguinte, será que não quererão assumi-lo? Talvez sim, mas talvez não. No mercado de títulos, frequentemente acontece que os países menos fiáveis em termos de crédito se atrasam num pagamento. Mas um contratempo não significa o fim do negócio.

Risco 2: dominância da Ethereum

Outro risco é se a Ethereum permanecerá na blockchain líder em termos de contratos inteligentes. Não é de todo impensável que a Ethereum possa, um dia, ser ultrapassada por outra de Camada 1. Mas até para este cenário, pode ser encontrada uma situação homóloga no mercado de títulos. Já aconteceu várias vezes ao longo da história, países que são perturbados por uma guerra ou revolução e os títulos antigos são colocados no lixo pelo novo regime. Assim sendo, até nas economias tradicionais não há algo que possa ser considerado um investimento totalmente sem riscos. Esse risco tem apenas de ser compensado por maiores recompensas de staking. E, como é óbvio, os investidores podem diversificar o seu portefólio de staking em vários outros protocolos, não apenas na Ethereum.

Aquilo que os dois riscos supra demonstram é que a Ethereum pode não ter a reputação necessária entre os investidores do mercado de títulos dos Estados Unidos, mas sim a de um país menos fiável em termos de crédito.

Risco 3: risco da moeda

Outro risco é a volatilidade do preço: o preço da Ethereum não é fixo. No entanto, este é um risco bem conhecido entre os investidores tradicionais, o qual conseguem cobrir inclusive na economia dos dias de hoje. O risco da moeda onde existem instrumentos financeiros para cobri-lo.

Risco 4: regulação

Finalmente, um risco importante é a regulação. Será que uma agência como o SEC dos EUA não irá um dia designar as blockchains de contratos inteligentes como valores mobiliários não registados? Se isto continuar a pairar sobre o mercado, os investidores tradicionais não entrarão a bordo.

Conclusão

Conforme mencionámos, toda a hipótese do staking Ether como um título futuro da Internet depende, acima de tudo, do êxito da fusão. Será que tudo irá funcionar bem após a fusão e será que a Ethereum permanecerá dominante? De qualquer das formas, provavelmente demorará algum tempo antes que os investidores tradicionais participem em grandes números. Mas estes terão de considerá-lo. Segundo a Fidelity, 70% dos investidores institucionais planeia comprar criptomoedas no futuro próximo. Eles estão apenas à procura de um bom motivo para dar o salto. Simplesmente pela ausência de alternativas: os títulos já não rendem o suficiente.

Regressando ao início deste artigo. Através do staking, a Ether poderá passar de um investimento arriscado para um relativamente livre de risco. Poderíamos contar uma história similar sobre a Bitcoin como um substituto do ouro nos portefólios, mas isso merece um artigo inteiramente dedicado ao tema.

Agora, se tivesse de dizer isto ao seu tio que participa nos mercados financeiros há trinta anos, talvez ele se risse de si. Mas as similaridades fundamentais entre os títulos e o staking apontam simplesmente nessa direção.

Caso aconteça, teria implicações na correlação entre as criptomoedas e as ações. O facto de agora subirem e descerem em conjunto de forma claramente visível, isso poderá muito bem mudar.

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