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Escrito por Erik Weijers há um mês

Os elevados números da inflação e o mercado das criptomoedas

O Índice do Preço aos Consumidores dos EUA (CPI), uma medição amplamente utilizada do custo de vida, subiu em março para o seu nível mais alto em quatro décadas: 8,5% ao ano. Na Europa, foram registados números similares em março: 7,5%. O que é que isto significa para o mercado das criptomoedas?

Curiosamente, outros métodos de medição chegaram a números maiores. O designado índice Truflation aponta para os 13% para os EUA em março. O Truflation, que funciona na Chainlink, é transparente e também utiliza dados de preço atuais. Ao contrário do CPI, que utiliza estudos.

Pressão sobre o Banco Central

Estes são números dramáticos, sendo por isso que o Banco Central dos EUA (o FED) está a passar por pressão política para subir as taxas de juro. Isto deve-se ao facto de as taxas de juro mais elevadas terem um efeito amortecedor sobre o crescimento económico e os preços. A esperança é que isto ajudará a inflação a ser, de certa forma, suportável para o povo americano. Só aí é que Biden tem uma hipótese de ser reeleito.

A grande questão é se o FED levará avante a subida das taxas de juro nos próximos meses ou se as pistas que deram até agora são apenas teatro. Afinal de contas, o segredo sujo de qualquer governo é que este precisa da inflação. Apenas imprimindo dinheiro é que conseguem pagar as suas dívidas num mundo onde estão enterrados até ao pescoço.

Anos de maior inflação avizinham-se, ou...?

Tendo como base o supracitado, há analistas que acreditam que as subidas da taxa de juro e a política monetária estrita não vão ser assim tão extremas. No entanto, também há um campo que pensa que o FED está a falar a sério quanto às subidas das taxas de juro, ainda que seja às custas dos mercados bolsistas e dos mercados de criptomoedas. Apenas quando os mercados de capitais próprios caírem 20% ou mais e os investidores entrarem realmente em pânico é que serão premidos os travões. Até lá, a inflação já teria sido amplamente esbatida por uma recessão.

O que tem estado a provocar a atual inflação excessiva?

  • Como é óbvio, isto é parcialmente o resultado da enorme quantidade de dinheiro que foi bombeada para o sistema durante a pandemia.
  • Além disso, é um efeito da perturbação a que assistimos nas cadeias de abastecimento de bens de consumo, provocada pela pandemia – não só devido aos encerramentos das fábricas, mas também porque as pessoas começaram a mudar os seus padrões de consumo.
  • Finalmente, por causa da guerra na Ucrânia e das guerras comerciais. Se alguém desligar a torneira de produção de gás, o preço do gás subirá.

Muitas destas causas não desaparecerão tão cedo. A guerra e as relações perturbadas entre as potências mundiais não terminarão da noite para o dia. Assim sendo, a energia e as trocas comerciais permanecerão caras – e, além disso, queríamos ver-nos livres dos combustíveis fósseis baratos de qualquer das formas. Se assim for, temos de aceitar menos riqueza, por conseguinte, preços mais altos.

Além disso, devido à pandemia e às tensões geopolíticas, os países quererão voltar a integrar as suas instalações de produção sob o seu respetivo domínio. Produzir as suas próprias máscaras faciais, os seus próprios microprocessadores. Essa é a opção segura e, talvez, sensata, mas não é, de todo, barata. Esta terminará com uma tendência do século XX, de cada vez mais globalização e, por conseguinte, produção mais barata. A reversão desta tendência não contribuirá favoravelmente em nada para os preços dos bens de consumo.

Do outro lado da moeda das forças inflacionárias, há o simples facto demográfico de uma maior percentagem do que nunca da população mundial está na idade da reforma. Perante estes preços mais elevados, eles não têm nenhuma forma de aumentar o seu rendimento. Isto limitará o seu poder de compra e, desta forma, atuará como uma força deflacionária que contraria as pressões inflacionárias.

Se juntar as perspetivas da maioria dos investidores macro, a maioria apostaria que um período de mais inflação se iria prolongar. No entanto, também há um campo considerável que ainda vê esta inflação como transitória.

A Bitcoin ainda é uma proteção contra a inflação?

Forças comparáveis também estão a atuar na Bitcoin e no mercado das criptomoedas. Por um lado, um dos casos de uso da Bitcoin é o de proteger contra a perda de valor do dinheiro fiduciário e, desta forma, proteger o seu poder de compra. Todavia, para alcançar isto, os dólares têm de continuar a entrar no mercado. A Bitcoin era, e ainda o é em grande parte, um produto de investimento para o homem comum, e este tem menos dinheiro para gastar devido à inflação, tendo-se tornado mais cauteloso.

Por outro lado, as instituições começaram a colocar uma parte dos seus portefólios na Bitcoin e nas criptomoedas. Essa tendência provavelmente só irá acelerar.

Contudo, serão necessários anos para o mercado chegar lentamente à realização de que a Bitcoin é uma proteção contra a fraqueza do sistema financeiro atual – ao invés de a verem como um investimento arriscado. Mas isto é o que é, de facto: uma proteção contra as vulnerabilidades do nosso sistema fiduciário, tal o são o ouro e as matérias-primas. Não é papel, não se baseia em dívida. É um sistema diferente.

Conclusão

Já passou praticamente um ano desde a fase eufórica de maio de 2021. Deixemo-nos de rodeios: estamos a passar por um (suave) mercado bear nas criptomoedas. Este pode durar facilmente 18 meses ou um pouco mais nas criptomoedas. Será que já atingimos o fundo? Muitos sinais on-chain apontam nessa direção. Contudo, se o FED continuar a subir as taxas de juro à medida que deslizamos lentamente para uma recessão, isto poderia levar a uma descida acentuada nos mercados bolsistas e a uma descida ainda mais acentuada nas criptomoedas. Perante a situação financeira atual, as criptomoedas correlacionam-se com os índices (tecnológicos).

Por outro lado, também assistimos a fatores bullish, tanto on-chain quanto estruturais. O exército HODL não tem nenhuma intenção de vender. Vemos isto nas vagas hodl da Bitcoin e a na BTC que está a ser retirada das bolsas, entre outros aspetos. Macroeconomicamente, a Bitcoin encontrará o seu lugar num mundo que precisa de encontrar reservas de valor alternativas, além do dinheiro físico. Para a Ether, há um bom cenário similar on-chain e, além disso, ainda temos a futura fusão. Após a fusão, as taxas do staking aumentarão e os detentores de ETH ficarão ainda mais inclinados para bloquearem as suas ETH nos contratos de staking. Bullish.

Resumindo, os mercados financeiros estão assustados e confusos, os hodlers estão a agarra-se e a indústria das criptomoedas continua a desenvolver-se. Nada de preocupante caso a sua perspetiva seja a longo prazo.

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