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Escrito por Erik Weijers há 5 meses

Como é que os mineiros Bitcoin subsidiam projetos de energia verde  

Entre as pessoas ambientalmente conscienciosas, a Bitcoin tem uma reputação de certa forma fraca. Compreensivelmente, porque certamente que o elevado consumo de energia da rede é um problema se quisermos reduzir as emissões de CO2? Esta história é um pouco mais subtil do que possa imaginar: a rede bitcoin está a tornar-se cada vez mais um “coletor de lixo do mercado de energia”. De facto, a Bitcoin já está a agir como um mecanismo de subsídio para projetos de energia verde.

Notórias, este ano, são as tiradas da Senadora dos EUA Elizabeth Warren, que nos avisa, "[temos de] ser firmes sobre as práticas ambientalmente prejudiciais da mineração de criptomoedas.” Notável, este pensamento tóxico. Particularmente quando considerarmos que a mineração de Bitcoin representa apenas um décimo de um por cento do consumo de energia global total. Isto é comparável ao consumo de todos os navios cruzeiro a nível mundial, uma indústria que, não obstante, contribui menos para os critérios S e G da ESG (Energia, Social e Governação) que as empresas têm, cada vez mais, de cumprir. Ou será que nos está a escapar algo, e afinal as piscinas flutuantes no oceano estão a ajudar mais de cem milhões de pessoas a tornarem-se independentes dos bancos centrais?

Para começar, há boas notícias para os críticos da Bitcoin: o consumo de energia da Bitcoin enquanto percentagem do valor total da rede tem vindo a diminuir ao longo dos anos. Ou seja, a rede está a tornar-se mais eficiente em termos energéticos. Em 2013, 14% do valor total de mercado ainda era pago em faturas de energia e de hardware dos mineiros. Hoje, este valor representa cerca de 2%. Suponhamos que a Bitcoin se torna num êxito retumbante nas próximas décadas. Então, estima-se que o consumo de energia aumente mais quatro ou cinco vezes. Caso a Bitcoin continue a arrastar-se sem um aumento significativo de utilizadores, o consumo de energia cairá: isto deve-se ao facto de o subsidio do bloco sofrer um halving a cada quatro anos. De qualquer das formas, o consumo de energia não disparará absurdamente, seja qual for o cenário. Numa escala global, este permanece um erro de arredondamento em termos de utilização de energia.

Máquinas que transformam energia em dinheiro

Os mineiros de Bitcoin são basicamente máquinas que transformam energia em dinheiro. Devido ao facto de haver enorme competição no mercado global de mineração, estes vasculham a terra pelas formas mais baratas de energia. Gerir uma mina só é rentável quando o preço da eletricidade está muito abaixo daquilo que os consumidores pagam – aponte para valores a ronda os quatro ou cinco cêntimos por kWh.

Em primeiro lugar, isto significa que não temos de preocupar-nos com a perspetiva de os mineiros arrebatarem eletricidade para fins vitais como os nossos jantares confecionados no micro-ondas. E, em segundo lugar, isto significa que os mineiros são os coletores de lixo do mercado de energia – apenas se a energia for um produto residual é que o preço é suficientemente baixo para ser atrativo. E aqui, até os concorrentes mais ferozes têm de admitir que a Bitcoin permite inclusive uma redução nas emissões de CO2 em alguns casos. Um exemplo são os campos de petróleo do Texas nos quais as minas de Bitcoin funcionam a gás natural. O gás natural é um subproduto destes campos de petróleo que seria simplesmente libertado para o ar se as minas não estivessem em funcionamento (embora as minas ainda emitam CO2, este é gás de efeito estufa inferior quando comparado com o gás natural).

Um “subsidio” para projetos verdes

Muito bem, então a Bitcoin já está a limpar os gases de efeito estufa produzidos pelos campos de petróleo em algumas situações. No entanto, queremos livrar-nos dessa indústria de qualquer das formas. E então a energia verde? O cunho desta é que a oferta não é constante. O sol por vezes brilha e, por vezes, não o faz, e o vento também não é fiável. Para tornar a energia verde viável tem, por conseguinte, de instalar uma sobrecapacidade considerável, parte da qual não é verde: pense em fábricas de gás e fábricas de energia nuclear. Esta é a única forma de garantir que haverá sempre energia suficiente disponível, mesmo em alturas de menor produção verde. Esta sobrecapacidade faz com que o investimento em energia verde seja ineficiente e, por conseguinte, pouco atrativo para os investidores... não fosse o facto de agora termos mineiros. Estes compram a energia em excesso e, desta forma, subsidiam os projetos verdes. Outro exemplo é a integração mineiros bitcoin na estufa.

Um benefício relacionado com a integração dos mineiros bitcoin na rede de energia é que esta torna-se mais estável. Os mineiros podem ligar e desligar consoante as circunstâncias. Por exemplo, há uma elevada procura por eletricidade devido a condições climatéricas especiais? Então, os mineiros fornecem a sua eletricidade à rede ao invés de a utilizarem. Noutras alturas, conforme descrito supra, eles compram a capacidade excedente.

Mas os mineiros não têm de funcionar continuamente para serem rentáveis? Isso depende. A antiga e já depreciada geração de mineiros ASICS ainda pode ser rentável, inclusive em intervalos – desde que os custos de energia no local sejam suficientemente baixos.

Conclusão: rumo à reciclagem da energia

Todos estes exemplos não retiram o facto de que, conforme mencionámos, ainda há minas de Bitcoin que são geridas em fábricas de energia produzida a carvão. Mas um número cada vez mais das dinâmicas supra demostra que a mineração de Bitcoin se inclina cada vez mais para uma forma de reciclagem de energia ao invés de consumo de energia. Será que a Elizabeth já recebeu o memorando?

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